Criatividade informática dinamiza o novo Amadora-Sintra
Como centralizar toda a informação clínica que existe num hospital público, de forma a poder utilizá-la de forma imediata e integrada? Não há uma resposta fácil. Mas há condições para dar essa resposta a médio-prazo, no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca , anteriormente conhecido por Amadora-Sintra. Aliás, é precisamente na transição da gestão privada para público-empresarial que reside uma das vantagens do Centro de Investigação e Criatividade em Informática desta estrutura hospitalar, nascido na herança de uma lógica de risco e flexibilização.
Em meados do ano passado, segundo Henrique Martins, o Chief Medical Information Officer do hospital, “começou-se a definir a ideia de um Comité de Processo Clínico Electrónico que fosse rever novas soluções de mercado” para a integração de dados. O plano de Henrique Martins e de Rui Gomes, o Chief Information Officer, parece simples: criar um interface que permita a circulação de dados entre o corpo clínico, os serviços de gestão e os sistemas de informação, concentrando tudo digitalmente. Na prática, prevê-se acompanhar todas as vertentes de um processo clínico com um simples e único acesso ao sistema.
Vamos concretizar com um estudo do próprio Henrique Martins. Imaginemos que queremos correlacionar três indicadores: o período de internamento de um doente, o resultado final, e a prevalência de anemia (que se apura através de um dado laboratorial, o valor da hemoglobina). Até aqui, Henrique Martins estava condicionado pela dispersão de dados, o que o obrigava, e aos seus colaboradores, a cruzar a informação à mão numa folha Excel. O que foi feito com 600 pacientes. Agora, imaginemos mais: que todos os dados estão na mesma base e que basta colocar uma pergunta ao sistema para a resposta correlacionada nos ser dada imediatemente. É este o objectivo do projecto que possibilita, entre muitas outras coisas, o aumento exponencial da amostragem das investigações (ambiciona-se chegar aos 6 mil), com as implicações inerentes ao nível da validade dos resultados.
Henrique Martins explica que já há muito trabalho feito, nos chamados clinical pathways. “Esse trabalho foi feito há alguns anos por médicos e enfermeiros, em diversas patologias, só que, neste momento, não está informatizado”, explica o CMIO. Daí a génese deste Centro de Investigação e Criatividade que planeia produzir software com funcionalidades novas “para complementar as aplicações já existentes ou que venham a ser compradas” pelo hospital, caso não possuam as componentes necessárias. Assim, se “poderá facilitar o acesso a todos os dados capturados nas bases, numa resposta criativa que alimenta a componente da investigação” e consolidar um middleware de integração entre médicos, gestores e informáticos.
O Centro não vai contar com uma equipa fixa, antes vai moldar-se às necessidades do projecto. O mais provável é que venha a incorporar alunos de mestrado ou doutoramento que pretendam fazer trabalho de campo. Quanto a protocolos estabelecidos com outras instituições, destaca-se, para já, uma ligação além-fronteiras, com uma empresa sedeada em Cambridge, que desenvolve software de processamento clínico com uma nuance extremamente importante: a possibilidade de introdução de dados pelos próprios pacientes que queiram completar os seus processos.
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