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9 SET 2010
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A Administração Pública precisa de BI
Ana Pinto Martinho, Directora do iGOV
Data: 2010-04-22

Não, não é de um modelo de identificação ultrapassado, como Bilhete de Identidade, de que falo, mas sim de Business Intelligence (BI).

O BI já não é propriamente uma novidade e a sua utilização já está disseminada um pouco por todo o mundo empresarial. Mas a Administração Pública tem demorado um pouco mais a adoptar estas ferramentas, embora haja áreas de execpção.

O que poderá então levar o sector público a interessar-se mais por este tipo de ferramentas?

A consultora da MaxMetrics levou a cabo um estudo sobre Business Intelligence no sector público como forma de responder à crise económica. Talvez uma das chaves para esta mudança esteja na palavra crise, que acaba sempre por ditar contenção de custos.

Segundo o estudo, melhorar a eficácia dos governos, a nível global, e proceder a cortes orçamentais são duas necessidades que acabam por fazer com que a introdução de ferramentas de BI comece a estar no topo das prioridades dos gestores públicos.

O facto de também haver um maior desenvolvimento de soluções de eGovernment, que para serem implementadas deverão ter por base um conhecimento sólido das necessidades dos cidadãos e das áreas em que a aposta em serviços electrónicos faz mais sentido, é outra das razões que pautam a necessidade da introdução deste tipo de soluções e ferramentas.

A crescente importância dada à transparência na gestão pública, Open Government, também contribui, segundo o estudo, para a atenção dada às soluções de Business Intelligence. É certo que cada vez mais os organismos públicos têm que partilhar dados e informações, seja entre si, com instituições privadas e com a sociedade civil. Ainda recentemente o Governo britânico lançou a iniciativa “data.gov.uk” onde é disponibilizado um grande manancial de informação que fica à disposição dos cidadãos. À medida que os cidadãos são mais exigentes, a qualidade de dados que lhes é fornecida tem ser melhor. E esta é uma das razões apontadas para a premência da utilziação de ferramentas de BI na Administração Pública.

Mas falando de BI, e apesar da necessidade de implementação destas ferramentas, há que ter em conta que a qualidade dos dados é a pedra angular. Se os dados introduzidos forem incompletos, inexactos ou inconsistentes as soluções de Business Intelligence não terão sucesso. Outro problema enfrentado com frequência, no que respeita os dados, prende-se com a grande variedade de formatos e os vários graus de qualidade que estes apresentam. Se os dados não forem bem geridos, as entidades da Administração Pública podem, no entender de vários analistas, acabar por ter dados inconsistentes e silos de informação difíceis de correlacionar o que acabará por resultar em muitos casos na falta de transparência. E aí, nem o Business Intelligence poderá ajudar...

Ana Pinto Martinho
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