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7 SET 2010
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eLearning na Administração Pública ainda é residual
Antónia Marques
Data: 2010-07-15

A formação é uma das áreas na qual a Administração Pública tem vindo a apostar. Uma das formas possíveis é o eLearning. E foi para conhecer o que se passa neste campo que o iGOV falou com Teresa Salis Gomes, Directora do Departamento de Formação eLearning, Pedagogia e Comunicação do Instituto Nacional de Administração (INA).

No relatório sobre formação a Direcção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP) afirma que o peso do eLearning ainda é residual na formação na Administração Pública (AP). Como é que se pode caracterizar a situação do eLearning na AP em Portugal?



A utilização do eLearning na formação na AP em Portugal tem ainda um valor residual, embora não haja propriamente um levantamento desta situação pelo que ninguém na AP deverá ter uma ideia muito concreta do que se passa, talvez nem a própria DGAEP. Tenho conhecimento de algumas entidades que utilizam uma plataforma de eLearning mas não posso dizer que conheço a realidade da AP. Sei o que se faz no INA, na DGITA, nos serviços consulares, no ministério da agricultura, mas não é uma prática comummente utilizada pela AP.

Como se podem entender as reticências na sua utilização?



A AP não usa o eLearning nem no sentido de os organismos públicos serem promotores, em que seria feita uma análise das necessidades e adquiridos serviços com vista ao desenvolvimento de uma formação em eLearning, quer através de uma plataforma própria ou com recurso ao open source, nem enquanto compradores. Penso que esta situação se deve ao facto de os gestores ainda temer este tipo de formação, há muitas reticência, de quem toma a decisão por receio da forma como a mesma será acolhida pelos próprios destinatários. Outro aspecto prendem-se com o facto de a produção dos recursos continuar a ser cara e ser preciso que haja um trabalho de equipa com o cliente, o que nem sempre é entendido.

Quer isso dizer que os custos podem ser um dos inibidores dessa opção?



O investimento só compensa se tiver muitos potenciais destinatários. Se for um grupo muito reduzido o custo per capita, mesmo considerando os custos indirectos, não compensa.

Mas a AP pode ser cliente de organismos que desenvolvam acções de formação, como é o caso do INA?



Nós no INA temos já alguma experiência e esta mostra que a aceitação do eLearning ou do blended Learning (em que há uma componente presencial) só acontece quando é obrigatória, quando não há alternativa. Caso contrário, se for aberta a possibilidade de formação presencial, continua a haver uma preferência pelo presencial. Até porque as pessoas já perceberam que determinados modelos de eLearning são trabalhosos e muito exigentes.

O eLearning exige então um maior empenhamento dos formandos?



No caso da formação em eLearning do INA a maior parte das pessoas que fazem a nossa formação não a faze dentro do horário laboral. E há estudos que mostram que só uma percentagem relativamente residual é que o faz dentro do horário de trabalho. Se até 75 por cento dos formandos o faz fora do horário pessoal, é preciso um maior empenho.

Quais os destinatários mais indicados para a formação em eLearning?



Os dirigentes são um dos grupos indicados mas não direi que são os únicos. Sentem essa necessidade de formação. E o nosso modelo (do INA), que foca temas relacionados com a gestão, pode «ajudar» porque embora seja de várias semanas só tem três dias em que há formação presencial, o primeiro, o último e um outro a meio da formação. Eu diria que quem está numa formação eLearning é porque quer mesmo saber. Este é um processo de aprendizagem exigente.

E a nível de conclusão da formação, que indicadores existem?



No caso da formação em eLearning do INA, apesar do nível de exigência, temos taxas de conclusão entre os 70 e os 75 por cento. Quando há desistências o motivo apontado para as mesmas é a dificuldade de conciliação com as actividades profissionais. E estas taxas são muito positivas quando se está a falar de formação longa, até porque no eLearning há taxas de desistência elevadas.

Os casos mais conhecidos de eLaerning dizem respeito à AP central, mas esta poderá ser uma modalidade de formação vantajosa para a AP Local?



Nós no INA temos recebido inscrições de pessoas da AP local, embora as formações que temos a decorrer não tenham os dirigentes da mesma como destinatários, o que demonstra que há interesse. Como a distância é sempre um dos motivos da opção pelo eLearning, penso que os organismos da AP local podem tirar vantagens desta modalidade de formação, não só devido ao factor distância mas também porque, em muitos casos, é complicados ter as pessoas fora do postos de trabalho em formação, dado que nem sempre há quem as substitua. Por isso considero que há um potencial imenso ao nível da AP local.

Como os custos poderão ser um entrave, dado que várias temáticas de formação que são comuns a vários municípios, poderiam ser criadas acções de formação conjuntas?



Exactamente. É sempre possível desenvolver acções de formação em Elearning com temas que interessam à AP local e que são transversais, como no caso em que há alterações legislativas, por exemplo o SIADAP, em que é necessário interpretar as mesmas. E uma solução interessante seria possibilitar a participação em acções de formação, em conjunto com outras pessoas de outras entidades, sem necessidade de deslocações e ausências dos locais de trabalho, mas é preciso é que as pessoas percebam isso.

Mas essa opção tem que passar pelos dirigentes?



Sim. E as potencialidades e as mais-valias do eLearning ainda estão por descobrir por quem tem que decidir e optar. E a questão dos custos pode ser reduzida se funcionar numa lógica de conjunto e não de autarquia a autarquia. Se o trabalho de criação e de desenvolvimento das acções de formação for conjunto, uma vez que as temáticas são transversais.

Se há alguns anos a tecnologia podia ser um entrave, o mesmo já não acontecerá actualmente?



Nos últimos anos mudou muita coisa a esse nível, nomeadamente no acesso à tecnologia e na relação que se estabeleceu com ela. Há meia dúzia de anos havia ainda muita gente que não usava o computador para escrever, mandava alguém escrever os emails, que não tinha sequer email pessoal, e não acedia à Internet Isso mudou, há uma maior interacção através do email, não só ao nível dos técnicos mas também dos dirigentes. As próprias organizações estão melhor preparadas. Dantes não dispunham da tecnologia necessária, da largura de banda para realizar por exemplo áudio conferências, algo que hoje já não acontece.

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