Uma «One-Stop-Shop» no ensino do Luxemburgo
O cenário é de uma aula de francês de uma escola secundária. A turma de cerca de vinte alunos debate-se com um trabalho de grupo, tendo por base um texto de um autor francês. Dividida por grupos, cada um com a sua missão no exercício, a turma está incumbida de apresentar o trabalho final conjunto que agregará as contribuições de cada grupo de alunos.
Este seria um episódio quotidiano de uma qualquer turma de escola secundária nacional em plena aula de francês. Mas neste caso, além de se tratar de uma escola no Luxemburgo (Lycée Aline Mayrisch), a particularidade é que os alunos não trabalham sobre os tradicionais livros ou cadernos escolares. Professor e alunos trabalham em portáteis individuais, o quadro de ardósia partilha o protagonismo com o plasma ligado em rede e o exercício de francês em questão está a ser trabalhado num ambiente Web colaborativo partilhado por todos.
Este é apenas um dos resultados práticos do «mySchool!» , um projecto nacional do Ministério da Educação do Luxemburgo que disponibiliza um ambiente de ensino virtual digital ao serviço das necessidades de toda a comunidade de ensino primário e secundário do país, desde professores, alunos e encarregados de educação.
Da visão à prática
Sob a responsabilidade do Cento de Tecnologia da Educação (CTE) do Ministério da Educação luxemburguês, o «mySchool!» é, na prática, uma «one-stop-shop» on-line para toda a comunidade envolvida no processo educativo, incluindo professores, alunos, encarregados de educação, entre muitos outros.
O projecto resulta da visão de um conjunto de responsáveis do Ministério da Educação do Luxemburgo, em 1995, numa altura em que a Internet e os ambientes virtuais ainda eram um «luxo» demasiado caro para convencer os responsáveis pela decisão política no país. O sonho ainda teria de esperar meia dúzia de anos. Só em 2001, com a Estratégia de Lisboa, viriam a amadurecer os argumentos em favor dos projectos de tecnologias de informação e comunicação e a aparecer o orçamento necessário para a concretização do sonho.
«Foi determinante o Conselho Europeu de Santa Maria da Feira. Deu-nos os argumentos para convencer o poder político e, consequentemente, conseguir a dotação orçamental necessária para tirar o projecto da gaveta e concretizar o sonho que desenhámos em 1995», afirma Daniel Weiler, na qualidade de responsável do projecto «mySchool!» e Executive Manager do Centre of Technology of Education do Ministério da Educação do Luxemburgo.
 «One-stop-shop» da educação
De facto, o «mySchool!» tornou-se o ponto de acesso por excelência para a comunidade educativa em todo o país. Dos 75 mil utilizadores potenciais em todo o país, o projecto conta com mais de vinte e cinco mil utilizadores activos, entre estudantes, professores, encarregados de educação e público em geral.
Este sucesso explica-se pelo volume de portais, sites, serviços e conteúdos que o portal agrega. O primeiro nível de acesso ao «mySchool!» é feito através de portais de utilizador que oferecem páginas de entrada diferenciadas, e com conteúdos específicos, em função do perfil do utilizador, seja ele um professor, um estudante, um encarregado de educação ou um administrador. E ao autenticar-se neste primeiro nível de acesso, o mecanismo «single-sign-on» garante ao utilizador o acesso aos restantes portais, quer de conteúdos, de comunidades ou de serviços.
Ao nível dos portais de conteúdos, o «mySchool!» congrega portais temáticos, galerias de imagens e repositórios de conhecimento, que colocam ao serviço de estudantes e professores mais de 80 mil documentos e cerca de 160 recursos de referência, incluindo enciclopédias on-line , revistas e jornais. O investimento na aquisição de licenças e direitos de acesso a estes recursos de conhecimento é centralizado pelo CTE, sendo disponibilizados às escolas sem qualquer custo.
Nos portais de comunidades, o «mySchool!» dá acesso a mais de 3.100 sites pessoais, 600 portais de comunidades activas e cerca de 25 portais e intranets de escolas.
A todos estes recursos, os responsáveis do projecto começaram a acrescentar, e a colocar à disposição das escolas, ferramentas de apoio ao ensino e à avaliação curricular e mesmo aplicações de suporte à gestão logística. Um dos exemplos disso é a aplicação de gestão de cantinas que o «mySchool!» disponibiliza às escolas, permitindo gerir, num ambiente web, as ementas e os pedidos de alunos e professores. Este serviço traduz a primeira incursão do projecto nas aplicações de Business Proccess Management.
Tal como nos conteúdos, todo o desenvolvimento e suporte tecnológico são assegurados pelo CTE, quer ao nível dos recursos quer ao nível do investimento.
Ensino com tecnologia empresarial
Na escolha da plataforma tecnológica, a abordagem dos responsáveis do projecto foi no sentido de encarar o ensino à luz dos ambientes empresariais mais exigentes. Para o responsável de desenvolvimento do projecto e arquitecto do portal «mySchool!», Claude Weber, foram os objectivos ambiciosos que impuseram grandes exigências à plataforma tecnológica do projecto. «Dada a complexidade do serviço e dos requisitos definidos para o projecto, decidimos optar por plataformas tecnológicas tipicamente utilizadas em ambientes empresariais».
De facto, os requisitos definidos inicialmente deixavam à tecnologia grandes desafios. Senão vejam-se alguns dos requisitos iniciais: acessibilidade total (anytime, anywhere, any device); personalização da informação (desde os conteúdos web às aplicações tradicionais); mecanismos de autenticação «single-sign-on» seguros; segurança integrada; possibilidade de pesquisar e encontrar informação de fontes múltiplas e dispersas; agregação de múltiplos media num único interface Web; ferramentas de colaboração e comunicação; funcionalidades de publicação baseadas em template; ambientes de e-leraning integrados, etc.
Para responder a estes requisitos, os responsáveis do projecto combinaram, em modo de desenvolvimento interno, as soluções open-source com as mais sofisticadas plataformas empresariais, com destaque para as soluções da BEA Systems, quer para a gestão de conteúdos (BEA Aqualogic Interaction Publisher) quer para os ambientes de trabalho e colaboração (BEA Aqualogic Interaction Collaboration).
[i] Flash
Projecto: «mySchool!»
Entidade: Cento de Tecnologia da Educação (CTE), Ministério da Educação do Luxemburgo
Desenvolvimento: Interno
Implementação: 1995 a 2001
Contactos: Telef.: +352 247-85983 | Fax: +352 333 797 | E-mail: contact@myschool.lu
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