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9 SET 2010
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Especialistas debatem Processo Clínico Electrónico
Data: 2008-05-21

Evento Processo Clínico Electrónico«Um hospital tem que ter sistemas que nos permitam gerir os recursos mais indicados para que se possa produzir saúde.» Este foi um dos motes com que Luís Velez Lapão, do INA/CINTESIS, deu início à sua participação no evento «Processo Clínico Electrónico», organizado, a 20 de Maio, pelo iGOV, na Ordem dos Engenheiros, em Lisboa.

Ainda sobre a mesma temática, Luís Lapão recordou que, «há cinco ou 10 anos, surgiu o eHealth, algo diferente da Telemedicina, mas que ainda andamos a perceber bem o que é.» Referindo dados de um estudo recente da sua autoria, o professor sublinhou o facto de apenas 53 por cento dos profissionais de Sistemas de Informação dos hospitais portugueses serem licenciados, apontando o caso do Hospital de Santa Maria, que apresenta uma taxa de qualificações, a este nível, duas vezes mais baixa que a dos hospitais alemães.

Evento Processo Clínico ElectrónicoA questão das qualificações é, na opinião de Luís Lapão, essencial para a construção de um Processo Clínico Electrónico eficaz, para o qual são precisas pessoas com competências, alertando ainda para a baixa taxa de utilização da metodologia da gestão de projectos, nomeadamente o HL7.
Com base nos problemas diagnosticados, Luís Lapão alertou para a necessidade de «elaboração de um mapa estratégico, um roadmap para sabermos o que queremos.»

Para Altamiro Costa Pereira, da Associação Portuguesa de Informática Médica, «o primeiro e maior desafio dos sistemas de informação é responder a todos os outros desafios do sector da saúde.»

Enfatizando o facto de se gastarem, anualmente, 300 milhões de euros em Tecnologias de Informação na Saúde, o responsável advertiu que a «grande questão é saber qual a melhor estratégia de desenvolvimento e de utilização de TIC na Saúde.» Para isso, referiu, «é preciso diálogo, algo a que faltam mecanismos em Portugal.»

Evento Processo Clínico ElectrónicoApós a intervenção de Marco Wijngaard, orador holandês da Information Builders, que apresentou o caso «WebFocus for Healthcare: Made-to-Measure Care Information», uma implementação com bastante sucesso nos hospitais holandeses, Ricardo Correia, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, trouxe à plateia o caso de sucesso da «Informação Clínica do Utente no Hospital S. João - um projecto de parceria público-pública.»

No âmbito desta apresentação, Ricardo Correia referiu que o projecto «permite a rastreabilidade dos acessos, o estudo dos acessos ao sistema, o que possibilita detectar logins utilizados por mais de um utilizador.» Na opinião do especialista, aquela iniciativa, que já obteve dois prémios nacionais, permite uma «monitorização que detecta, automaticamente e mensalmente, casos de identificação errada de episódios e pacientes nos SIDs.»

Evento Processo Clínico ElectrónicoPor seu turno, Telmo Costa, do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, apresentou o caso de sucesso do «Registo Clínico regional - plataforma única no suporte à decisão.» O responsável afirmou que aquela unidade de saúde fez «um processo clínico regional, uma plataforma única de suporte à decisão, pelo facto de ser clínica.»

O projecto surgiu a propósito de, actualmente, cada hospital ter a sua própria base de dados, sem que haja qualquer coordenação dos mesmos. Um factor inconcebível, sobretudo tendo em conta que «em primeiro lugar vêm os médicos e os doentes e, em segundo, a informação desses doentes.» Alertando que o que falta nos hospitais é, precisamente, a informação clínica, Telmo Costa advertiu ainda que «os registos clínicos electrónicos têm de estar orientados para as patologias, uma vez que a medicina não é homogénea.»

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